Vitor Ito: um interprete talentoso ou só mais um cancelado por falta de divulgação?
Vitor Ito: um interprete talentoso ou só mais um cancelado por falta de divulgação?

Vitor Ito: um interprete talentoso ou só mais um cancelado por falta de divulgação?

Se o Brasil tivesse uma liga profissional de beisebol, será que Vitor Ito estaria trabalhando como intérprete no Japão? Ou será que estaríamos vendo seu talento brilhar por aqui na conferência Capital SP? A verdade é que Ito, assim como tantos outros jogadores, não tem um time para chamá-lo de profissional simplesmente porque, no Brasil, o beisebol ainda é tratado como um esporte invisível por muitos que poderiam ajudar a promovê-lo. Mas para nós, ele nunca foi amador..

Um atleta que joga desde o T-Ball ( categoria mais básica, de família de jogadores, tendo a tia Márcia – coordenação de Anotações e Estatísticas e o Pai como Técnico e diretor técnico de Softball, que passou sua vida toda no campo, jamais pode ser chamado de “amador”… Nem de brincadeira.

Nas Eliminatórias do World Baseball Classic (WBC) em Tucson, Arizona, Vitor Ito chamou a atenção do mundo ao ajudar o Brasil a garantir uma vaga na competição de 2026. O problema? Ele fez isso enquanto, oficialmente, sua profissão era ser intérprete do Hanshin Tigers no Japão…. Que é um time de , adivinhem? beisebol. Jogador e tradutor ao mesmo tempo, ele mostrou que talento não se perde, só precisa de *espaço para brilhar*. Se nunca perceberam no Japão, ele brilha no país das oportunidades para o mundo todo.

Durante o jogo decisivo contra a Alemanha, Ito executou um “bunt” perfeito ( bunt, é quando o jogador só encosta o Taco na bola pra ela ficar pertinho para que ele fosse eliminado mas possibilitasse um companheiro avançar bases ), ao longo da competição, bateu 38,5%, além de se destacar na defesa como shortstop. Nipo-brasileiro de terceira geração, Ito jogou beisebol no ensino médio, passou pela Universidade Kyoei no Japão e depois pela tradicional equipe de beisebol corporativo da Nippon Life. Mas, em 2023, sem uma liga profissional no Brasil para absorvê-lo, ele se aposentou e assumiu uma nova carreira como intérprete e empresário.

Nas redes sociais japonesas, a atuação de Ito gerou um questionamento inevitável: “Ele é melhor que alguns jogadores profissionais”. Fãs do Hanshin Tigers começaram a se perguntar por que um talento desses não está em campo em vez de apenas traduzindo para os gringos do time:

  • “Não acredito que um jogador tão talentoso trabalha como intérprete… impressionante.”
  • “Por que não colocá-lo no time titular como shortstop e oitavo no bastão?”
  • “Os movimentos dele são de jogador profissional. Não consegui segurar o riso assistindo ao vídeo.”
  • “Vamos contratá-lo!”

E nós perguntamos: por que ele não pode ser contratado no Brasil?

A resposta é simples e incômoda. O Brasil nunca conseguiu profissionalizar um esporte que alguns teimam em esconder e não divulgar. E, enquanto isso, talentos como Vitor Ito precisam procurar emprego em outras funções, mesmo sendo bons o suficiente para competir no mais alto nível.

Ito é também empreendedor. Ele é um dos socios da Prospect, uma empresa que, junto com outros jogadores amadores (ou deveríamos dizer “profissionais sem contrato”?), ensina e dá dicas para técnicos e atletas. Aqui repetimos: Como chamar de amador alguém que jogou beisebol desde o T-Ball, passou por todas as categorias de base e chegou a defender a Seleção Brasileira? Para nós, ele é apenas mais um profissional sem emprego.

E se ninguém no Brasil criou uma liga para contratá-lo! (ainda). Talvez seja hora de pararmos de nos esconder e começarmos a tratar o beisebol como o esporte que ele merece ser.

Sua chance está no recado do Presidente da federação paulista de beisebol e Softbol.

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