Enquanto os holofotes da dita “mídia especializada” e os discursos pomposos das instâncias oficiais se voltam para o óbvio, ignorando a verdadeira alma do nosso esporte, as nossas guerreiras do Softbol SUB-23 davam uma verdadeira aula de dignidade, técnica e resiliência. No último final de semana, o solo sagrado do Centro de Treinamento da Seleção Brasileira, em Ibiúna, foi o palco de uma epopeia que muitos fizeram questão de virar o rosto para não ver. Por que essa história não é contada nos grandes canais? Por que o esporte de base e o desenvolvimento de nossas atletas parecem sempre relegados ao silêncio dos gabinetes? E aqui, no Taco não é Soft, a gente não vai deixar essa chama apagar. Nós não estávamos fisicamente nas arquibancadas de Ibiúna, mas estivemos grudados na tela, acompanhando cada lance pela transmissão guerreira da MatsumidiaTV, do nosso grande amigo Raphael Matsumoto, que junto com a narração precisa do Roni Ebina, do Departamento de Mídia da CBBS, foram os únicos a dar a importância que essas meninas merecem. O que vimos no diamante foi uma aventura de coragem, suor e paixão pelo esporte, movida à base do velho e indispensável paitrocínio e do esforço hercúleo de voluntários, contrastando fortemente com a letargia de quem deveria gerir e impulsionar o softbol nacional.
O Sábado de Fogo: A Luta Cruel na Fase Classificatória
A caminhada começou no sábado sob o signo da superação. Na Chave A, o Nikkei Curitiba entrou em campo mostrando um bastão pesado e implacável, atropelando o Central Glória por um acachapante 20 x 3. Mas no softbol, a glória de um momento se transforma no desafio do próximo. O Central Glória tentou se reerguer, mas acabou engolido pela forte equipe do Cooper Clube, que aplicou um sonoro 11 x 0. O grande drama da chave ficou para o terceiro jogo: Cooper Clube e Nikkei Curitiba protagonizaram um duelo de titãs, decidido no detalhe, no fio da navalha, onde a equipe de Curitiba garantiu a liderança do grupo ao vencer por um dramático 3 x 2. Quem tem coração fraco não sobrevive ao diamante!
Já na Chave B, o equilíbrio foi a tônica e os valores tradicionais de disciplina e humildade japonesa foram testados ao extremo. O Nikkey Marília começou sua caminhada cirúrgica ao bater o Nippon Blue Jays por 2 x 0, num jogo de arremessos primorosos. Em seguida, o Maringá mostrou suas garras e atropelou o Gigante/Gecebs por 9 x 1. O Gigante/Gecebs tentou se recuperar no confronto seguinte, mas esbarrou em uma parede chamada Nikkey Marília, que aplicou um contundente 10 x 0. Mas o verdadeiro manifesto de paixão e luta veio no confronto entre o Nippon Blue Jays e Maringá. Duas escolas, dois times que se recusam a cair sem sangrar: em uma partida espetacular, o Blue Jays garantiu a vitória por um apertadíssimo 5 x 4, mostrando que na base, o jogo só termina quando o último out é consolidado.
O Domingo de Redenção: A Chave de Prata e o Orgulho Ferido
No domingo, o diamante de Ibiúna testemunhou a disputa da Chave de Prata, onde o orgulho e a paixão superam qualquer cansaço físico. O Gigante/Gecebs abriu as finais vencendo o Central Glória em um jogo repleto de reviravoltas por 8 x 7. O Central Glória, exausto mas digno, voltou a campo logo em seguida e vendeu caro a derrota para o Maringá por 7 x 4. A grande final da Prata colocou frente a frente Maringá e Gigante/Gecebs. E o que vimos foi um monólogo paranaense. O time de Maringá entrou em campo babando, com um ataque avassalador que deixou todos de boca aberta, dizimando a defesa adversária e fechando o placar em um impressionante 16 x 1. Uma vitória maiúscula de quem não se abateu por ficar fora da chave principal!
O Infarto da Chave Ouro: Nikkei Curitiba e a Coroa do SUB-23
Mas o que guardou o destino para as finais da Chave Ouro foi algo que deveria ser estudado e aplaudido de pé por qualquer um que se diz amante do esporte. Nas semifinais, o Nikkei Curitiba mostrou toda a sua força coletiva ao despachar o forte time do Nippon Blue Jays por 12 x 3. Na outra semifinal, o Cooper Clube e o Nikkey Marília fizeram um confronto épico, digno das grandes páginas da história do softbol, onde a equipe de Marília carimbou a vaga na finalíssima ao vencer por um suado 6 x 5.
Com o Cooper Clube garantindo o terceiro lugar geral ao bater o Nippon Blue Jays por 8 x 6 em mais um jogo tenso, a mesa estava posta para a grande decisão: Nikkei Curitiba contra Nikkey Marília.
Foi um choque de planetas. De um lado, a consistência defensiva e o espírito de corpo de Curitiba; do outro, a tradição e o peso da camisa de Marília. O jogo foi tenso, amarrado na estratégia, onde cada erro custava a vida. Por que o público geral não tem acesso a esse nível de espetáculo? É o paitrocínio e a cara e coragem dessas famílias que sustentam esse nível técnico absurdo! No final, a frieza e a precisão do Nikkei Curitiba prevaleceram. Em uma exibição que misturou a técnica refinada e uma resiliência espiritual inabalável, as meninas de Curitiba venceram por 2 x 1, soltando o grito entalado de campeãs do SUB-23! O Nikkey Marília caiu de pé, honrando suas cores até o último suspiro no círculo de arremesso.
Reflexão do Diamante
Não se trata só de resultado: se trata de respeito pela luta, pela iniciativa e pela paixão dessas jogadoras que se doam por inteiro em cada corrida. O Nikkei Curitiba levanta a taça com todos os méritos, mas a verdadeira vitória é de quem mantém o softbol vivo à revelia do descaso oficial. Até quando o topo do nosso esporte será tratado como um segredo bem guardado? Nós vimos a história ser escrita em Ibiúna. E você, vai continuar fechando os olhos ou vai espalhar a palavra com a gente?





