A pergunta hoje é: porque o Brasileiro consegue conviver com tanta corrupção, com tanta mentira , e com tantos maus exemplos que as vezes internaliza-os em sua empresa, sua vida, sua comunidade e acha isso tudo normal?


Não é que o brasileiro “nasça” assim, mas a gente vive sob o peso de uma herança histórica e educacional que criou um terreno fértil para essa convivência com o que é errado. Vamos analisar isso com a clareza de quem faz gestão:
1. O “Patrimonialismo” e a confusão entre o Público e o Privado
Historicamente, o Brasil foi construído com a ideia de que quem está no poder é “dono” do que é público. Essa cultura escorre para as empresas. O dono ou o gerente muitas vezes acha que os recursos da empresa são extensões do seu bolso, ou que as regras só valem para os outros. Quando o exemplo de cima (no governo ou na diretoria) é de privilégio e falta de transparência, a base acaba achando que “levar vantagem” é a única forma de sobreviver.
2. A “Cultura do Jeitinho” como Mecanismo de Defesa
O que começou como uma forma criativa de resolver problemas em um Estado burocrático e travado, virou uma patologia social.
- O brasileiro acostumou-se a contornar a regra porque a regra muitas vezes parece não fazer sentido ou ser injusta.
- O problema é quando o “jeitinho” sai da solução de um entrave e vira desonestidade pura.
- Nas empresas, isso se traduz naquela “mentirinha” no relatório, no “pular etapas” da ISO ou no “fingir que treinou” para ganhar o certificado.
3. A Falta de Consequência (A Impunidade)
Eu, como árbitro de Softbol, aprendi que: se o jogador comete uma falta e o árbitro não faz a chamada, ele vai fazer de novo. No Brasil, as chamadas (apito) muitas vezes falha. Quando as pessoas veem grandes casos de corrupção terminarem em nada, ou o colega de trabalho que “atropela” os outros ser promovido, cria-se uma desistência moral. O pensamento passa a ser: “Se eu for o único honesto, eu sou o bobo da história.”
4. O Valor do “Papel” sobre o Saber
As pessoas valorizam o diploma na parede, mas não a sedimentação do conhecimento.
- Quando a sociedade foca no ter (o status, o cargo, o papel) em vez do ser (a competência, a ética, o esforço), a mentira vira um atalho aceitável.
- É o aluno que cola, o engenheiro que assina sem ver o projeto e o consultor que entrega “conversa fiada” em vez de resultado.
Como a Little League e minhas aulas podem combater isso?
É aí que entra o meu papel ( muitas vezes mal entendido) e o motivo de eu gostar tanto de compartilhar experiência da maneira mais transparente possível:
- No esporte: Eu tento ensinar que a regra é igual para todos e que não existe vitória sem integridade. Se o pé saiu da base, saiu. Não tem “conversa”.
- Na Engenharia: Eu tento ensinar que um erro de ética na gestão de processos pode custar caro, ou até vidas. ( em todos os sentidos ).
A gente convive com isso porque dói menos aceitar do que lutar contra o sistema. Mas quando se coloca um aluno de engenharia para gerenciar uma empresa de verdade ou levar a disciplina da Little League para uma comunidade, creio estr tentando quebrar esse ciclo. Tento mostrar que a verdade e a transparência dão menos trabalho e trazem resultados mais perenes do que a corrupção.
É o jeito “Ítalo-Limeirense” de dizer: “Aqui não, aqui a gente joga limpo porque é o único jeito que funciona de verdade.”













